quarta-feira, 6 de maio de 2009

ENTREVISTA A NUSKINHA...

Nádia Anusca Franco d'Almeida, mais conhecida no futsal por Nuskinha, veste a camisola 19 da ADC Gualtar. Irreverente e com um talento nato para jogar à bola, abraçou este projecto, seguindo as pisadas da equipa técnica, com quem começou a jogar futsal, há 2 épocas.

Nuskinha na primeira pessoa...

Apesar de jovem contas já com alguns anos de experiência, primeiro no futebol 11, só depois no futsal. Queres falar-nos do teu percurso desportivo?
Sim, é verdade, mas não são assim tantos anos de experiência, pois só aos 16 anos comecei a jogar futebol 11 federado. Até essa altura joguei em equipas masculinas, em torneios de futsal de bairro e campeonatos regionais de futebol 11. Chegou a uma altura em que ganhei coragem e fiz parte de uma equipa de futebol 11, onde joguei 5 anos e à qual devo muitas das maiores alegrias que tive a nível desportivo.
Após esses 5 anos e depois de ver que o futebol 11 feminino não evoluía, pelo contrário, regredia em termos de número de equipas e de competitividade, decidi mudar-me para o futsal. Representei a ADER Mogege, a convite da equipa técnica, chegando a uma grande equipa, que trabalhou bastante e que me acolheu de braços abertos.
Este ano faço parte da ADC Gualtar e estou muito agradada com a equipa e com o nosso percurso.
Tal como dizes, surges ligada a este projecto na ADC Gualtar. Como é que tudo aconteceu?
A minha vinda para a ADC Gualtar surgiu com um projecto bastante aliciante que me foi mostrado pela equipa técnica com quem trabalhava. Achei que era algo que devia fazer, pois as mudanças que acontecem, acontecem sempre para melhor... e assim foi.
E com tudo isso estás ligada à formação desta equipa. Sentes responsabilidade extra por esse facto?
Sim, de uma certa maneira pode dizer-se que estou ligada a esta formação, mas sinceramente nunca senti uma responsabilidade acrescida por isso. Acho que, fazendo ou não parte da formação, temos é que ser responsáveis acrescidos de qualquer das maneiras. É uma equipa nova, com jogadoras que não se conheciam e todas elas, juntamente com a equipa técnica, têm responsabilidades acrescidas para fazer com que este projecto funcione e a equipa tenha um futuro cada vez melhor. Não pode dizer-se porém que, em relação a algumas atletas que não têm tanta experiência no meio, não me sinta responsável pelo seu desenvolvimento, pois nós somos as responsáveis pela sua evolução. Se não houver entre-ajuda e ensinamento por parte das atletas mais "velhas", não podemos exigir o que queremos das mais "novas".
E ao entrares de corpo e alma neste desafio, certamente criaste determinadas expectativas. A equipa tem correspondido a essas expectativas?
Eu crio sempre muitas expectativas em relação a tudo pois para mim, se assim não for, não há nada que "puxe" por nós e nos dê forças para lutar pelo que queremos.
Inicialmente as expectativas eram de saber como ía ser a relação entre as jogadoras, quem iam ser e como iam ser as jogadoras, se o nosso futsal ía estar à altura do projecto que tínhamos em mãos. Tudo isto passou pela minha cabeça antes de iniciar o projecto, mas passado algum tempo foram-se dissipando e agora as expectativas são outras. Será que no próximo ano vamos conseguir fazer melhor? Há sempre um montão de coisas que nos passam pela cabeça e que nos dão a adrenalina necessária para seguirmos e ultrapassarmos com toda a força todas as adversidades que nos irão aparecer.
Naturalmente que deves ter consciência do importante papel que tens no grupo, não só pela tua forte personalidade, mas também pela forma carinhosa como todos te tratam. Sabemos que esta época, e sobretudo em alguns jogos, fizeste um grande sacrifício em prol da equipa. Sentiste essa necessidade?
O facto de já trabalhar há 2 anos com esta equipa técnica e com algumas das jogadoras da equipa, deixa-me mais confiante e com vontade de fazer sempre algo mais por todos e sei que sou importante, tal como todas as pessoas do projecto, só que há sempre os que têm de ser os "pilares" da equipa e se me sinto assim é porque as pessoas depositaram em mim toda a confiança para tal. Mas também é verdade que fiz sacrifícios e que também os fizeram por mim, para poder contribuir para a equipa.
Estou num ano difícil a nível profissional. O ano de estágio requer muito esforço e nem sempre é possível conciliar tudo e nem sempre chegamos ao fim do dia ou da semana com vontade de fazer o que quer que seja, mas não podemos dizer não à "família". E relativamente a isso, quando os problemas surgiram, todos me apoiaram e se disponibilizaram para ajudar e foi mais fácil enfrentá-los.
Valeu e valerá sempre a pena fazer todos os esforços necessários pela equipa, pois com ou sem lesões, não podemos desistir nunca.
E todos os esforços feitos, quer por ti quer por todos, acabaram por ser coroados com a conquista da taça. O que representou para ti?
Muita gente pode pensar que a conquista da taça serve como prémio de consolação para nós, mas está muito longe disso!!! Que mais se poderia exigir a uma equipa recém construída, em que as jogadoras jogaram juntas pela primeira vez e algumas nem se conheciam? Vice-campeãs e vencedoras da taça! Não chega? Tomara muitos estar no nosso lugar. É um orgulho jogar nesta equipa e foi um orgulho muito grande vencer a taça. Nunca tinha ganho uma taça destas, ou qualquer prémio a nível de futsal e estou bastante contente. E todos os intervenientes merecem um obrigada. A equipa não é nossa, é de todos!!!
E depois desta conquista, o que consideras mais importante?
O mais importante será continuar a formar um grupo coeso e forte para chegar mais longe no futuro.
É inevitável colocar-te esta questão... Já alguma vez sentiste que o facto de teres baixa estatura influenciou a tua carreira enquanto atleta?
Nunca tinha sentido diferença até que uma vez, num estágio da Selecção Nacional Feminina sub-19, me deram a entender que esse iria ser o meu problema para não continuar a representar o nosso país. É óbvio que fiquei bastante triste, mas isso não é nenhum impedimento, apenas uma diferença, que por vezes até pode ser aproveitada. O Rui Barros pouco mais alto é do que eu e foi um excelente jogador de futebol e representou muitos anos a Selecção Nacional. É claro que no futsal esse problema nem sequer é posto em causa e não tenho problemas nenhuns com a minha estatura, antes pelo contrário.
O futsal feminino está em franco crescimento e muito se tem falado da necessidade de um campeonato de âmbito nacional e da reactivação da selecção nacional. Como atleta, como comentas o estado actual do futsal feminino?
Penso que está muito bem e recomenda-se! A evolução está à vista de todos e certamente que daqui a uns anos estará muito melhor. Como atleta penso que a reactivação da selecção nacional seria um incentivo maior para todas as atletas, logo uma óptima opção.
Para finalizar, queres deixar uma palavra a todos quantos vibram e acreditam no futsal feminino?
Apenas que continuem a lutar por aquilo em que acreditam e aos que assistem aos jogos, que nunca desistam de nós, mesmo quando não lhes damos alegrias. O futsal é assim... um desporto bonito.

CURIOSIDADES

Cor: Amarelo
Número: 19
Interesses: Matemática, Cinema e Desporto
Personalidade: Teimosa e sincera
Momento importante: Entrada na Universidade
Música: Crestfallen (Smashing Pumpkins)
Livro:
Aparição
Filme: Os Condenados de Shawshank

4 comentários:

Anónimo disse...

Cá está a nossa "pequenina" mas GRANDE JOGADORA... Tanto talento!!! É caso para dizer que o talento não se mede aos palmos...

Parabéns pela enorme qualidade que possuis e pela irreverência, que fazem de ti uma lutadora e uma atleta única.
Sinto um grande orgulho por estar a teu lado desde o teu primeiro momento de futsal e tem sido um prazer trabalhar contigo e ver-te deixar o "perfume" da tua qualidade espalhado por todos os pavilhões por onde passas.
Obrigada por teres entrado no projecto desde o primeiro momento e o teres feito crescer.
Quanto ao resto, apenas dizer-te que as adversidades dão-nos sempre mais força... e o teu percurso enquanto pessoa é um exemplo de luta e crescimento, portanto mereces ser feliz e isso é o que mais te desejo.

EP

Anónimo disse...

Parabéns Nuskinha pela entrevista...
Obrigada por fazeres parte da "FAMÍLIA" e pelo facto de continuares na nova época entre nós :)
És uma boa colega dentro e fora de campo, ajudando sempre no k podes.
Sem duvida k esta "FAMÍLIA" superou todas as expectativas a nível desportivo e em conjunto.
És uma pekena grande atleta, kuando jogas espalhas magia, um verdadeiro PILAR :)
Espero k tudo te corra bem, tanto nos estudos como no resto, não mudes.
S.M

Anónimo disse...

Sinto um enorme orgulho em poder trabalhar e acompanhar uma atleta como tu.
Tens tudo o que admiro numa atleta: responsável, honesta, verdadeira, sem papas na língua acima de tudo e com um talento incrível para a bola.
É fantástico ver-te jogar, é fantástico ver-te fazer aquilo que gostas...
Parabéns pela entrevista, parabéns por toda a luta que tens travado para conseguires os teus objectivos, parabéns por seres como és.
Felicidade é aquilo que também te desejo, porque o mereces.
Beijos,
Sónia Alves

MÉLISSA disse...

Nuska, Nuskinha, Nuskota, a nossa pequena mas grande atleta...
Talento para a bola não te falta. Escusado será apresentar tudo que és.
Desejo-te as maiores felicidades no futsal e na tua vida profissional.
Beijos.